Em plena crise, o pensamento inquieta-se e interroga-se; ele pesquisa as causas mais profundas do mal que atinge a nossa vida social, politica, económica e moral.
As correntes de ideias, de sentimentos e interesses chocam brutalmente, e deste choque resulta um estado de perturbação, de confusão e de desordem que paralisa toda a iniciativa e se traduz na incapacidade de encontrarmos soluções para os nossos males.
Portugal perdeu a consciência de si mesmo, da sua origem, do seu génio e do seu papel, de herói intrépido, no mundo. Chegou a hora do despertar, do renascimento, de eliminar a triste herança que os povos do velho mundo nos deixaram, as bafientas formas de opressão monárquicas e teocráticas, a centralização burocrática e administrativa latina, com as habilidades, os subterfúgios da sua politica e dos seus vícios, toda esta corrupção que nos tolda a alma e a mente.
Para reencontrar a unidade moral, a nossa própria consciência, o sentido profundo do nosso papel e do nosso destino, isto é, tudo o que torna uma nação forte, bastaria a nós portugueses eliminar as falsas teorias e os sofismas que nos obscurecem o caminho de ascensão à luz, voltando à nossa própria natureza. Às nossas origens étnicas, ao nosso génio primitivo, numa palavra, à rica e ancestral tradição lusitana e/ou celtibera, agora enriquecida pelo trabalho e o progresso dos séculos.
Um país, uma nação, um povo sem conhecimento, saliência do seu passado histórico, origem e cultura, é como uma árvore sem raízes. Estéril e incapaz de dar frutos.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Oestrymnis Festival de Arte Folk 2017

O Oestrymnis Festival de Arte Folk está de regresso, contando mais uma vez com a presença do Origines Art.



Clicar aqui para mais informações

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A NATURAL E ORIGINAL PROXIMIDADE RELIGIOSA ENTRE O OCIDENTE E A ÍNDIA

"O pensamento religioso da Índia não é, para nós, um pensamento exótico ou estranho. Só a Índia soube preservar a história de uma busca cosmológica, religiosa, mística e filossófica que constituiu a experiência comum de grande parte da humanidade, em especial de um mundo indo-mediterrânico proto-histórico, do qual quase perdemos a recordação, consequência do fanatismo das novas religiões agressivas e colonialistas, como o Budismo, o Cristianismo e o Islão, nas quais a fé cega e proselitismo frequentemente ocuparam o lugar da busca do conhecimento e do humilde respeito diante das misteriosas intenções dos Deuses. 

Antes da chegada destas religiões simplistas e populares, de carácter principalmente social e utilizadas com fins políticos, não existia oposição entre religiões. Os esforços para descobrir o enigma do mundo, para compreender o lugar do ser vivo no Universo e os meios para realizar o seu destino constituíam uma empresa comum, como o constitui hoje em dia a investigação científica dos pensadores de diversas partes do mundo. Só diferiam os relatos lendários, uma sorte de fábulas baseadas em elementos locais, que serviam para ensinar a um povo os elementos da sabedoria, os princípios da filosofia, as virtudes dos heróis e os mistérios dos Deuses. Sem embargo, o seu sentido era claro para todos. 


As indagações dos filósofos acerca da estrutura do Cosmos eram paralelas, e ainda que os nomes outorgados às energias cósmicas fossem diferentes em uma e outra cultura, isso não apresentava maior obstáculo que a diferença de termos científicos nas línguas modernas. Os Deuses representavam os princípios universais, que se podiam representar simbolicamente nas forças da natureza, mas não por pessoas activas que se interessavam directamente no destino ou na acção dos homens. O Varuna hindu correspondia ao Úrano grego, Indra não é senão outro nome de Júpiter. Os soldados de Alexandre iam a Nisa, montanha sagrada de Xiva, a Quem chamaram Diónisos, para venerar o Deus e abraçar os seus irmãos de religião. O Héracles que menciona Megástenes é o Deus-herói Crixna. (...)»

In «Deuses e Mitos da Índia», de Alain Daniélou

terça-feira, 12 de abril de 2016

Arte Pagã Contemporânea - O que é?


- Toda Arte Contemporânea é pagã; respondeu-me um filósofo, surpreendido com a pergunta. Afinal, há muito que as vinculações religiosas não são mais uma necessidade para a arte. Resposta que não me surpreendeu, num primeiro instante, pois a palavra “pagão” passou a assemelhar-se à palavra“ateu”, ganhando o significado daquele que “não é cristão” ou que não recebeu o baptismo. Assim a palavra tem sido compreendida no mundo judaico cristão, mas se retrocedermos um pouco e atentarmos para a etimologia, veremos que paganus significa “do campo” ou ainda “morador do campo”. E também tem o significado extra de "civil", ou seja, pessoa que não mantém relações com o militarismo, o que nos faz lembrar da natural postura anárquica do pagão (no sentido político que é dado à palavra “anarquia”, é claro).

Obviamente usamos o sentido original da palavra "pagão", deixando de lado o seu significado corrompido. Acrescentando-lhe ainda outros significados, já que uma postura pagã frente à vida tem-se vindo a enraizar na sociedade actual, não se restringindo mais nem  à etimologia original, acima referida, invadindo o campo das realizações e reflexões humanas em diversas áreas de actuação. Deixando-se de lado a apropriação da palavra “paganismo” feita pela Igreja, descortina-se um imenso leque de possibilidades. No entanto, a excessiva proficuidade do termo é também um factor que levanta dificuldades, porque, afinal, o que seria Arte Pagã Contemporânea? Um olhar pagão sobre o mundo? Caracterizar-se-ia pela escolha dos suportes? Pelo que é representado? Um determinado estilo? Uma arte engajada? Uma arte interdisciplinar? Definir-se-ia pela decifração de um determinado Imaginário?

Cumpre primeiro procurar definir o que é paganismo na contemporaneidade e observar como a Arte vai se apropriando disso.

Se a alma pagã é a mesma através dos tempos, a sua materialização se insere em outra leitura do mundo; estamos no século XXI. O pagão é um panteísta - os deuses são a natureza do mundo - e, antes de tudo, um animista - as coisas naturais são todas animadas, tem vida. O pensamento pagão é mágico, por excelência. Os deuses pulsam em nós e ao nosso redor. O prazer é lícito, a fruição necessária. O poder do pagão é o exercício pleno da sua vontade. Comprometido com a Natureza, assim como preserva a sua vida, encara o mundo como uma grande rede que a tudo permeia e no qual as suas acções fazem toda a diferença.

A Arte Pagã Contemporânea absorve as tecnologias, os avanços e aprecia a evolução dos tempos. Mas guarda a essência pagã, que existe há milénios. Para ser mais exacto, a alma pagã, o paganismo como filosofia de vida, é Extemporâneo, assim como a Natureza é atemporal, perene em sua magnitude, embora em constante mutação - a única coisa que não muda é a mudança, é bom lembrar. O Paganismo escapa às particularidades do mundo presente exactamente porque não se localiza em lugar algum do tempo; o que a alma pagã tem de mais peculiar, é que pertence a todos os tempos. A palavra "Contemporâneo" neste contexto apenas indica o uso de materiais dos tempos actuais, assim como antes foram usados os materiais do passado: o mármore das esculturas gregas e os pigmentos da pintura rupestre.

Podemos pensar no que nos diz o filósofo Schweppenhäuser, ao se reportar ao distanciamento humano em relação à Natureza:

“O distanciamento da natureza através da moderna racionalidade é o meio de sua dominação, que, entretanto, não produz liberdade, mas sim o retorno violento da natureza esquecida, reprimida. Assim, a dominação da natureza torna-se irmã gémea da sua decadência”.

Absorvemos a tecnologia porque não encaramos a racionalidade como algo separado do corpo, contrariando o ponto de partida dualista do filósofo. E porque os instrumentos são prolongamentos dos nossos gestos. O difícil é a justa medida, saber temperar as necessidades da Terra com a sede pelo domínio tecnológico que, não raro, ultrapassa as fronteiras do permissível. Dominando a Terra e o Corpo, considerados aprisionamentos do Homem, a Alma e o Espírito se soltariam, para cumprir a sua verdadeira Missão: a de uma racionalidade canhestra, ou de uma religiosidade tapada. Este é o império das Religiões, dos inúmeros re-ligares que observamos em ação e dos excessos cometidos em nome da Ciência. O retorno da Natureza esquecida, vilipendiada, é sempre violento, principalmente no âmago, no inconsciente do ser humano. Dominar a natureza é causar o seu estrago e nesse sentido, apesar do didactismo de uma separação entre a realidade e a natureza, é impossível não concordar com Schweppenhäuser.

É uma das funções críticas da Arte reflectir sobre essa questão. Eduard Kac, por exemplo, ao trabalhar com a Arte Bio telemática e a Arte Transgénica, questiona a apropriação do uso da genética em Arte e levanta questões de cunho ético e social que dizem respeito à apropriação excessiva da Natureza pela tecnologia.

O Paganismo Contemporâneo busca repensar o que ainda se costuma ver como dicotomia: corpo e espírito estão juntos e não separados. Ainda dentro de uma lógica e filosofia marxista, cantou a bola o visionário Oswald de Andrade : a vida primitiva integrada na civilização, criando a sua síntese. A vida primitiva de que fala Oswald é, a meu ver, a alma secular pagã.

Existe uma correlação, uma cooperação entre o homem e máquina, que pode ser traduzido em gesto, em Linguagem, em Arte. Então, temos incluídas no paganismo contemporâneo também as propostas de uma arte da cibercultura, uma percepção física de um modelo teórico e a compreensão formal das sensações físicas.

Os deuses não negam a máquina, os avanços, as possibilidades inúmeras da criação humana. Não é mais possível ressentir-se com o que está feito, somos agentes do mundo presente e nos cabe a tarefa de preservar a Terra com inteligência, respeitando e fluindo nos seus ritmos diversos. E procurando coibir abusos contra a Natureza, que também é a nossa Natureza Humana. E a melhor crítica sempre foi, através de todos os tempos, a Arte.

O Paganismo Contemporâneo nesse sentido faz uso do que é essencialmente anárquico, no melhor sentido do termo: auto gestão e responsabilidade.

Procurando responder às questões levantadas no início deste artigo, podemos dizer que se incluem no Paganismo Contemporâneo a EcoArt, a LandArt, a pintura matérica. O uso de materiais naturais, recicláveis e reciclados; nas Artes Plásticas, a paisagem como suporte para intervenções. Na música, os ritmos tribais, a boa World Music, as temáticas autócnes, as danças sagradas, os mantras pessoais. Na literatura, a poesia de fôlego, intensa, muitas vezes desencanada, de sentido libertário - mas concebida com rigor - e identificada com as aspirações do seu tempo. A Arte Pagã Contemporânea se associa aos mitos e ritos e está imbuída de Magia, a sua Mãe, a temática primordial.
Seria então toda Arte Contemporânea, pagã?


Talvez seja muito cedo para definir, muito cedo para vislumbrar ou tentar cercear o que seja uma expressão que encerra três palavras tão abrangentes e complexas.

quarta-feira, 16 de março de 2016

OESTRYMNYS - FESTIVAL DE ARTE FOLK 1ª edição


O Trobadores - Taberna Medieval e a banda portuguesa Urze de Lume organizaram, nos dias 4 e 5 de Março de 2016, o Festival Oestrymnis, em Lisboa.
Procurando celebrar as origens mais primitivas de Portugal, o Oestrymnis - Festival de Arte Folk focou-se, essencialmente, nas artes actuais que ainda mantêm vestígios de outrora, de uma era que sobreviveu à prova do tempo e que se fundiu e actualizou sem nunca perder a sua identidade primordial.
O Festival contou com concertos, mostras de artesanato, exposições e conferências.


Oestrymnis (extremo oeste) foi o nome dado pelo poeta romano Rufius Festus Avienus à região oeste da Península Ibérica. Os Oestrymni eram o povo que habitava a área geográfica hoje conhecida como Portugal, desde o Algarve até à Galiza, onde se julga terem habitado desde o Neolítico até à grande invasão das serpentes ( os Celtas Saefes e Cempsi). De acordo com antigas escrituras fenícias e gregas, os Oestrymni são considerados como o povo mais antigo que habitou a região a que actualmente chamamos Portugal.

Alguns dos melhores momentos







ARTESÃOS & LUTHIERS














domingo, 13 de março de 2016

ABUTRE PRETO - AJUDE A PRESERVAR A ESPÉCIE

Já estamos em 2º lugar!!! Precisamos de algumas centenas de votos!!! Ajude-nos a trazer boas notícias! Pela conservação do abutre-preto no Alentejo, vote "Black Vulture Recovery, Southern Portugal" em http://tinyurl.com/blackvulture - vamos trazer este prémio internacional para Portugal!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Lenda dos lusitanos de Peniche


«Consta que os lusitanos refugiados em Peniche depois da invasão das legiões romanas, não podendo viver senão do mar, de tal modo adquiriram o hábito de viver dentro de água que passavam dias inteiros nadando e mergulhando, em busca de alimento, como se fossem peixes, tendo os mais idosos e incapacitados o costume de fazer soar um grande búzio para que os seus descendentes mais jovens e fortes, lhes trouxessem do mar o que necessitavam.
E já as embarcações que pela costa passavam julgavam tratar-se de deuses marítimos, pelo que lhes ofereciam sacrifícios, no receio de que as divindades se molestassem com a navegação...

Fonte BiblioCALADO, Mariano Peniche na História e na LendaPeniche, Edição do Autor, 1991 , p.411
Place of collection-, PENICHE, LEIRIA»
*
* * *
Não é impossível que esta lenda do folclore nacional reflicta a existência de algum antigo culto que neste local se celebrasse desde tempos pré-romanos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A MOIRA ENCANTADA NA RAIZ DA NACIONALIDADE


(...)
«Os muçulmanos que foram chegando à Península Ibérica eram provenientes da zona da Mauritânia e designados Mauros (igual a «escuros») Segundo o investigador Francesco Benozzo, a palavras mauros é de origem grega e não é crível que tenha dado origem à palavra mouros, que só existe na Península. Isso provocou, mais tarde, a confusão com a palavra mouros, que já aqui existia. Essa confusão de termos foi acabou por servir para fomentar o ódio ao mauro, leia-se, infiel, por parte da elite religiosa. Daí que essa confusão ainda hoje se mantenha para designar duas realidades culturais completamente distintas, já que, apesar de tudo, elas têm longínquos pontos de ligação, pois alguns dos povos originais da Península vieram do Norte de África, segundo estudos alguns geneticistas.
Ora, pode bem dizer-se que este tipo de lendas de mouras encantadas possui um carácter verdadeiramente nacional, ainda que transcenda, evidentemente, o nosso território. De Norte a Sul, mesmo em zonas onde nunca os muçulmanos se instalaram, há lendas de mouras e mouros praticamente iguais. Em fontes e em rios, em pedras e em cavernas, em árvores e em arbustos. São aparições que prometem fortuna a quem mantiver o segredo que deve ser mantido até estar cumprido um qualquer acto que se requer. São construtores de megalitos. São gigantes que empilham penedos ou trabalham metais com um único instrumento que se atira para, no monte fronteiro, um outro gigante poder, por sua vez trabalhar. São escavadores de montanhas, criando labirintos subterrâneos para se escapulirem no perigo. São gente como nós, que precisa, de quando em quando, de uma parteira, que acaba bem recompensada por trazer à luz do dia mais um mourinho. Mas são também gente, que se transforma em vários animais, que põem à prova humanos suficientemente corajosos que, desencantando os tristes prisioneiros da eternidade, recebem um tesouro inimaginável. São gente do Sol e do calor, gente agradecida pela colheita farta… Vivem num mundo subterrâneo paralelo: são a moirama, são, afinal os nossos antepassados mais longínquos, a memória viva de épocas humanas concretas, os textos mais antigos da portugalidade, os antepassados das fadas e dos gnomos de outras zonas do mundo. São os mais remotos celtas. São os MRVOS, mroos, palavra celta que designa morto, ser sobrenatural.
(...)
Do ponto de vista religioso, pode afirmar-se que, em Portugal, existe uma linha ininterrupta das mesmas crenças, desde a mais remota antiguidade. Adoradores da Terra-Mãe, personificada na serpente – a Gabriela Morais e eu fizemos há anos um levantamento de umas centenas largas de insculturas/esculturas de serpentes, de várias épocas – passou-se à Grande Deusa-Mãe, a Deusa dos Olhos de Sol – como lhe chamou um arqueólogo e cujo exemplo são as alentejanas placas de xisto – a Ísis (sé de Braga), e, com o cristianismo chega-se a Nossa Senhora, essa que em Portugal nunca é a Virgem Maria, mas sim a Senhora. E a Senhora é a herdeira directa da Moura Encantada. Surge nos mesmos locais, com o mesmo resplendor, também pede, por vezes, segredo, providencia milagres que continuam a ideia da fertilidade e da abundância/riqueza. É a mãe, é a avó, é a antepassada.
Por outro lado, e remontando à história de Ardinga, a moura, e D. Tedo, o cristão, especialistas como o italiano Francesco Benozzo afirmam, ao estudar as canções de gesta e os romances medievais, que os cristãos conquistadores têm necessidade de ter amores com mouras – no sentido da dama autóctone – porque a posse da Senhora legitima a posse da terra. (...)
Ora, possuir a moura/senhora equivalia à posse da terra (quem sabe não foi essa a razão de Egas Moniz ter deixado várias viúvas). Isto constitui uma forma racionalizada de apropriação e transformação do mito da Terra-Mãe.»(…)
*

(Imagem: moderna representação de Muireatach, um dos aspectos da Deusa celta Cailleach Bheur, eventual ancestral dos Calaicos e, de certa maneira, dos Portugueses, cujo nome começa em Portus Cale, e «Cale» vem precisamente de «Callaeci», o nome latino dos Galaicos)

terça-feira, 16 de junho de 2015

Os Animais de Poder

Só recentemente os Seres Humanos deixaram de viver com a Terra. Antigamente, todas as manifestações da Natureza estavam presentes, tanto no espaço profano como no espaço sagrado. Os Animais faziam parte das várias realidades dos Homens, como companheiros, sustento e símbolo - uma riqueza que vai desaparecendo graças à amnésia que nos é imprimida pelo modo de vida moderno. Porém, os Animais continuam a povoar o nosso imaginário como Arquétipos que podem ser invocados para cura e conhecimento. Uma herança preciosa...


As várias tradições evocam o espírito dos animais, bem como as suas forças e virtudes, tanto através de rituais como através de numerosos talismãs em forma de animal, tatuagens, esculturas e representações gráficas. Cada animal associado a uma determinada cultura é portador de sabedoria, podendo ser adoptado como Animal de Poder, Guardião e Mestre espiritual.

No xamanismo tradicional, os Animais de Poder estão associados a determinadas características e são usados como mediadores, durante a viagem xamânica, para o diagnóstico e tratamento de doenças físicas e espirituais. A viagem xamânica é um transe induzido, em que o xamã, mantendo-se "entre os mundos", conserva a lucidez enquanto se deixa levar pela corrente do Inconsciente até ao mundo dos espíritos, buscando aí a iluminação ou a solução para os males que afligem um paciente.

Existem diversos rituais, geralmente acompanhados pela batida ritmada do tambor ou outro instrumento de percussão, em que se estabelece o contacto com o Animal de Poder, por exemplo, a Dança do Animal, em que o xamã o invoca e incorpora, adoptando a sua postura e gestos, até se fundir com a sua natureza.

Segue-se uma lista de animais e dos seus atributos enquanto Animais de Poder:

Abelha - A Abelha é bem conhecida como símbolo da comunicação, do trabalho árduo e da organização. Também transporta o espírito da harmonia e da disciplina. A Abelha produz o mel, néctar da vida que, sendo fruto da dedicação, é o mais doce de todos.

Águia - A Águia é livre, poderosa e eleva-se sobre todas as coisas terrenas. Representa a iluminação, a visão interior, a coragem e a elevação do espírito. É um animal usado com frequência por todas as tradições.

Alce - O Alce é um animal grande e possante. A sua figura é de estabilidade, especialmente ligada à Terra e representa os dons da resistência, da auto-confiança e da responsabilidade. Também é um bom animal para questões de competição e para invocar o espírito da abundância.

Antílope - O Antílope inspira à cautela, ao silêncio e à capacidade de passar rapidamente da calma à acção. Como Animal de Poder inspira à consciência mística através da meditação. Por vezes, surge como aviso para uma situação de perigo, especialmente se toma uma atitude de fuga.

Aranha - A Aranha detém a virtude do labor e da criatividade. É a Senhora da Teia da Vida, da Magia e dos sonhos que, com delicadeza e força se manifestarão no mundo. Tem especial afinidade com trabalhos de cura.

Baleia - A Baleia é um animal de vida longa, de grande inteligência e cuja voz é entendida como a a voz da Mãe Terra. As suas vocalizações equilibram o corpo emocional, transportam-nos às origens e harmonizam-nos com a natureza. A Baleia é invocada por todas as culturas litorais que a conheceram. Hoje em dia, com a globalização da informação e dos símbolos, ela é invocada por todos aqueles que procuram forma de percorrer grandes distâncias através do Mar do Inconsciente.

Beija-flor - Os Beija-flores são pássaros pequeninos e vistosos que fazem parte de vários géneros, entre os quais, o Colibri. Nas suas regiões de origem (América Central e do Sul) os Beija-flores são tidos como mensageiros de cura. Despertam o amor, a leveza, a graça e a boa sorte.

Borboleta - As borboletas são seres de beleza rara e vida efémera. Atravessam vários estágios morfológicos ao longo do seu desenvolvimento, pelo que transportam o espírito da metamorfose. Como levíssimas criaturas do Ar, representam clareza mental, liberdade e desprendimento. São excelentes Animais de Poder quando se trata de enfrentar novas etapas da vida.

Búfalo - O Búfalo é um Animal de Poder que nos chega, sobretudo, da cultura norte-americana. Representa a sabedoria ancestral, a esperança, a espiritualidade, a paz e a abundância. O Búfalo também inspira a tolerância e a paciência.

Cabra - A Cabra, bode, cabrito ou capricórnio é um dos mais antigos símbolos animais. Representam a determinação para escalar terrenos difíceis, a capacidade de sobrevivência, bem como o espírito brincalhão e a abundância nutritiva. A figura da Cabra faz parte de uma das mais interessantes representações do Homem Cósmico - o Baphomet. Como Animal de Poder ajuda-nos a ganhar resistência e a atingir os nossos objectivos.

Camelo - O Camelo e o Dromedário são animais fortes e determinados. Detém as virtudes da auto-conservação, da resistência, da tolerância e da força para transpôr grandes distâncias por territórios agrestes.

Canguru - O Canguru chega-nos da Austrália e simboliza, sobretudo, a maternidade. É também um animal de grande força e coragem que não se escusa a lutar se for obrigado a isso.

Cão - O Cão foi o primeiro animal que se tornou companheiro doméstico dos Seres Humanos. A sua natureza é leal e detém a capacidade para amar incondicionalmente. Transporta o espírito da fidelidade e do préstimo. A sua vida está, desde há muito, interligada com a nossa, pelo que o Cão pode surgir em formas muito diversas, com atribuições simbólicas também muito distintas.

Caranguejo - O Caranguejo é um ser de casca dura e de miolo mole. Como animal da Água, relaciona-se com o plano emocional e com a família. No seu aspecto negativo, pode surgir para indicar uma sobrevalorização de pormenores insignificantes ou a perda da lucidez perante os sentimentos. Como Animal de Poder pode ser invocado para protecção da família e do lar.

Castor - O Castor é o Construtor dos Rios, ajuda-nos a abrir novos canais de pensamentos e a trasnformar o nosso mundo de acordo com as nossas necessidades. Transporta o dom da construção, da segurança, do conforto e da persistência.

Cavalo - O Cavalo também é um animal de grande nobreza, que detém uma força simbólica muito grande em várias culturas. Na generalidade representa o poder interior, a liberdade, a força e a beleza.

Cavalo Alado - Este animal mitológico surge em várias culturas, por exemplo, como Pégaso na tradição grega. Detém todos os atributos do Cavalo e ainda transporta os dons da elevação e da transmutação. É um excelente Animal de Poder a invocar para viagens astrais, abertura da visão e profecia.

Centauro - O Centauro é Chíron da mitologia grega, que nos ensina, antes de mais, os caminhos da cura. Representa também o instinto animal que devemos aprender a manipular, bem como a ligação com os animais, o caos construtivo, a sexualidade e a fertilidade.

Cisne - O Cisne é uma ave graciosa e fiel que se associa com os ritmos do universo. Como Animal de Poder, inspira os poderes intuitivos e a profecia. Também é um símbolo para a transformação - quem não conhece a história do Patinho Feio?

Coiote - O Coiote chega-nos da América do Norte e representa a criança interior, a adaptabilidade, a confiança e o humor. Também é o pequeno trafulha que transporta o espírito da malícia e da mentira. Na Europa, onde não existem coiotes, este Animal de Poder é representado pela Raposa.

Coelho - O Coelho detém o dom da fertilidade, da abundância e da prosperidade, sendo bem conhecido como símbolo das celebrações da Primavera, Ostara e Páscoa. O Coelho também transporta o espírito do medo, da auto-preservação e da tolice, podendo surgir quando é necessário aplicar a agilidade para evitar prejuízos.

Condor - O Condor é o equivalente da Águia na América do Sul. No Peru é chamdo o Filho do Sol e representa o Mundo Superior.

Coruja - A Coruja é um espírito da noite, como os seus maravilhosos olhos que tudo vêem, até na mais densa escuridão. Transporta os dons da visão oculta, da vigília, das sombras e da sabedoria antiga. Tal como também o Mocho, a Coruja está associada à rectidão e à justiça, pelo que pode ser chamada para ajudar em questões legais.

Corvo - O Corvo é outro Guardião da Noite. Está associado ao mistério e à profecia. Segundo algumas tradições, é o mensageiro e elo de ligação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Representa a dualidade, sendo um excelente Animal de Poder para cura e sabedoria.

Cobra - A Cobra é também um dos mais antigos animais simbólicos, surgindo em representações antiquíssimas. Traz consigo os dons da transmutação, da cura, da regeneração, da sabedoria e da sensualidade. É bem conhecido na forma de Oroboros, o Infinito - a Serpente que morde a própria cauda. É um Animal de Poder extremamente poderoso que faz parte do imaginário de diversas culturas.

Crocodilo - Os crocodilos, jacarés e aligátores são, para as populações que com eles convivem, um símbolo primordial da vida. O Crocodilo transporta o Caos e o Abismo de onde brota a Criação. Como Animal de Poder, permite-nos aceder ao inconsciente profundo. Também estimula o instinto de sobrevivência, bem como a capacidade de observação "na linha d'água".

Doninha - A Doninha é um animal ágil e esperto, de beleza lânguida e sedosa. Transmite os poderes ocultos, a capacidade de esconder segredos e a acuidade da observação.

Dragão - O Dragão representa a força vital e os princípios primordiais que regem todas as coisas. É a representação animal dos Quatro Elementos e, por excelência, o Portador da Sabedoria. O Dragão detém a força para se mover por todos os mundos, é uma força viril, fecundante e extremamente poderosa. Como Animal de Poder é invocado para cura, para conhecimento do que está escondido e sobretudo, para confronto com os próprios demónios da psique e evolução espiritual.

Elefante - O Elefante é um animal maravilhoso, régio e de uma dignidade incomparável. É o símbolo da longevidade e da inteligência. Como Animal de Poder transmite-nos a memória ancestral, cultiva a temperança e liga-nos aos Antepassados.

Elefante Branco - O Elefante Branco é um animal raro, quase mitológico, que surge por mutação. Os Elefantes Brancos eram estimados pelas culturas do Sudeste Asiático e mantidos pelas casas reais da Burma, da Tailândia, do Laos e do Cambodja. Eram considerados portadores de paz e prosperidade para o reino e o monarca que os possuísse era tido como poderoso e justo. A tradição que associa o Elefante Branco à pureza remonta ao início do Budismo, com o mito que conta como a mãe do Buda recebeu a notícia do seu nascimento através de um sonho em que um Elefante Branco lhe oferecia uma Flor de Lótus. Como Animal de Poder transmite força, bondade, pureza e sabedoria. Também é um bom conselheiro quando se trata de escolher caminhos, buscar a iluminação e penetrar os mistérios.

Esquilo - O pequeno Esquilo é o espirito da alegria que invoca o divertimento e a despreocupação. Também é persistente e laborioso, capaz de nos ensinar a fazer planos para o futuros, a reunir os meios e a observar o óbvio. Por vezes, surge para nos fazer reconhecer uma boa oportunidade.

Esturjão - O Esturjão é um peixe antigo e estranho que habita tanto as águas salgadas como as águas doces. É um migrador que percorre grandes áreas pelo Mar do Norte, ao longo da costa Atlântica da Europa e do Mediterrâneo, no Mar Negro e no Mar Azov, bem como no Báltico e em alguns grandes lagos. Encontra-se actualmente ameaçado de extinção. Como Animal de Poder, o Esturjão detém as virtudes da determinação, da consistência e da profundidade. É um animal poderoso que nos pode levar ao mais profundo Mar do Inconsciente.

Falcão - O Falcão tem os atributos da precisão, da visão de longo alcance e do vôo rápido. Como Animal de Poder é um mensageiro que nos ajuda a ver melhor as coisas que nos passam despercebidas e a agarrar as oportunidades.

Fénix - A Fénix é mais um animal mitológico que surge em várias culturas. É o símbolo do eterno renascimento, da imortalidade da alma, da elevação e da purificação através do Fogo. Como animal solar, pode ser invocado para todos os trabalhos de cura, sendo também o melhor dos mestres para nos ensinar a renascer das cinzas, a despir a pele e a recomeçar do nada.

Formiga - A laboriosa Formiga é o espírito de equipa. Transmite a noção da comunidade perfeita, da paciência, do trabalho árduo, bem como da força, da resistência e da agressividade. Como Animal de Poder ajuda-nos a saber colher o frutos do nosso trabalho e a cooperar com os nossos semelhantes para o bem comum.

Gaivota - A Gaivota é símbolo de liberdade, ligada ao Mar e ao Céu. Ensina-nos a voar através da vida com calma e esforço, contra todos os ventos e tempestades, até alcançarmos os nossos objectivos.

Gambá - O Gambá é um marsupial noctívago, originário das Américas. O seu espírito é altivo e detém fortes impulsos protectores. Como Animal de Poder ensina-nos a sobreviver pelos próprios meios e a repelir quem não nos respeita.

Galo - O altivo Galo é o Arauto do Sol. A sua simbologia está ligada à fertilidade e à vigilância, pelo que é frequentemente colocado sobre cata-ventos e campanários. Como Animal de Poder, transmite alegria e prosperidade.

Gato - O Gato, a par com o Cão, é o mais antigo companheiro dos Seres Humanos. Desde tempos imemoriais é tido como Senhor dos Mistérios, detentor dos dons da Magia e dos poderes lunares. O Gato é um poderoso guardião astral, protector da família e mestre da sensualidade. Como Animal de Poder, oferece-nos visões místicas, desperta a intuição e mostra-nos como não perder a individualidade e a independância perante a vida familiar ou comunitária.

Girafa - A Girafa é uma figura majestosa e irradiante. Desperta a calma, a suavidade e a doçura. Como Animal de Poder pode ajudar-nos a atingir grandes alturas com a devida estabilidade em cada passo.

Golfinho - O Golfinho é um ser iluminado de extrema pureza. Como Animal de Poder é portador da paz e da harmonia, ensina os dons da comunicação, da alegria e do altruísmo.

Gorila - O Gorila é um Guardião da Terra. Transporta a sabedoria, inteligência e a solidez. É um excelente Animal de Poder, capaz de transmitir força e capacidade para defender o que é nosso por direito. O seu espírito é muito protector, pelo que pode ser invocado para defesa.

Grifo - O Grifo é um animal mitológico que surge em várias culturas da Antiguidade. Geralmente é representado como um híbrido com cabeça e asas de Águia num corpo de Leão. Assim, possui muitos dos atributos destes dois animais. Detém os poderes do Elemento Ar aliados aos do Elemento Fogo, numa forma dinâmica que faz dele um dos mais majestosos seres do imaginário humano. O Leão e a Águia também são, respectivamente, os Senhores da Terra e do Céu, o que faz do Grifo uma síntese figurativa da Criação. Tradicionalmente é considerado um Guardião e, por isso, é representado em Heráldica, nas armas e brasões de numerosas localidades e famílias. O Grifo concede os dons da justiça, da força, da criatividade e da elevação espiritual. Pode também ser invocado para aumento da coragem e poder pessoal.

Guaxinim - O Guaxinim é um pequeno e inteligente animal que irradia bom humor. É também portador da tenacidade e capacidade de sobrevivência, bem como da minúcia e do asseio. Como Animal de Poder inspira-nos ao empenho e ao cuidado com a limpeza, tanto física como espiritual.

Hipopótamo - O Hipopótamo é uma animal terrestre que vive na água. Graças a este aspecto, ele ajuda a desenvolver a psique, a intuição e todas as virtudes que ocorrem desta ligação Terra-Água. O seu temperamento é determinado, territorial e, por vezes, hostil, pelo que é um bom Animal de Poder a invocar quando se pretende coragem e força.

Jaguar - O Jaguar é parente próximo do Leopardo e da Pantera, sendo, no entanto, nativo americano e maior do que estes. Tal como eles, é um solitário que aprecia uma vida partilhada entre o chão e as copas da floresta. Aprecia também a água, passado o seu tempo de lazer refrescando-se e nadando. A sua ligação com a água faz dele um mensageiro entre o consciente e o inconsciente. Ensina a estabelecer uma interacção produtiva da mente e da alma, ao mesmo tempo que é um protector do espaço, um excelente observador e um forte guardião.

Javali - O Javali é um animal inteligente e altivo que detém uma excelente capacidade de comunicação entre os pares. É extremamente vigoroso e territorial, podendo ser invocado para protecção da família e dos bens, para melhoria das capacidade de expressão e para vigor físico.

Lagarto - O Lagarto simboliza a adaptabilidade, a regeneração e a transformação. Como animal de Poder, estimula os sonhos e ajuda nas renovações.

Leão - O Leão é o símbolo régio, por excelência, é o Ouro Alquímico. É um animal solar que transmite poder e força. Transporta consigo as virtudes da prosperidade, da coragem, da saúde e do vigor físico. Como Animal de Poder é próprio para liderança, segurança, auto-confiança e nobreza de espírito.

Leopardo - O Leopardo é um solitário que vive, ora na mata, ora nas copas das árvores. É extremamente vigoroso e forte, podendo arrastar uma presa com mais peso do que o seu até ao cimo de uma árvore. O Leopardo mostra-nos as nossas capacidades ocultas - aquelas que temos mas que desconhecemos. Ensina-nos o caminho até ao conhecimento do subconsciente, a compreender os aspectos sombrios que se escondem na nossa mente ou na mente do paciente. Como Animal de Poder, concede ainda a virtude da rapidez, indicando quando devemos agir sem vacilar.

Lince - O Lince é um belo felino com uma profunda ligação à Terra, Como Animal de Poder revela-nos os segredos e conhecimentos ancestrais. Mostra-nos a ouvir no silêncio, a aprender com as tradições e a crescer enriquecidos pelo passado.

Libélula - A Libélula tem uma figura de fada, delicada e colorida. Indica ventos da mudança e permite a comunicação com o mundo elemental. Por vezes surge para indicar ilusão e para alertar para a possibilidade de termos de atacar alguém ou alguma coisa que nos cerca sem sabermos.

Lobo - O Lobo é um dos animais mais populares como Animal de Poder. Todas as culturas o respeitam e valorizam os seus ensinamentos. O Lobo é generoso, extremamente dedicado à família, fiel e paciente. É também poderoso, valente e detentor de uma enorme capacidade para amar.

Macaco - O Macaco é inteligente e bem-humorado. Como Animal de Poder, transmite-nos a sua alegria, a agilidade, a destreza e a irreverência. É também um símbolo de amizade.

Minhoca - A Minhoca é um pequeno ser que vive dentro da Terra, escondido dos olhares humanos mas contribuindo incansavelmente para a riqueza e fertilidade do solo. É o símbolo da regeneração, da resistência, da auto-cura e transformação. Como Animal de Poder ensina-nos a alcançar grandes feitos com humildade e dedicação.

Morcego - O Morcego é símbolo do renascimento, da morte iniciática e da transformação do Ser. Como criatura nocturna, capaz de ver sem utilizar os olhos (utiliza o sonar) é portador da visão oculta, da intuição e dos poderes lunares. Representa a reencarnação e, por vezes, a timidez de quem o encontra. É um excelente aliado na Magia.

Ouriço - O Ouriço é um pequeno mamífero noctívago que personifica a docilidade, apesar dos espinhos que o cobrem. Representa a inocência, a delicadeza e o préstimo. É um maravilhoso Animal de Poder, bem como um óptimo companheiro e vizinho para quem tiver a sorte de partilhar um quintal com ele. O Ouriço ensina-nos a dedicação, a humildade e a não-agressão.

Pantera - A Pantera é um Leopardo negro e detém muitos dos seus atributos. Tal como este, é forte e flexível, podendo ensinar a ultrapassar os próprios limites. Além disso é ainda a Dona dos Mistérios, portadora de sensualidade, beleza e poder de sedução. É um Animal de Poder excepcional, frequentemente adoptado como Animal de Poder Pessoal pelos praticantes de xamanismo moderno.

Papagaio - O Papagaio é uma ave vistosa e expansiva. Tem o dom da palavra, bem como da inteligência podendo ser um excelente auxiliar quando existem problemas de comunicação, expressão e verbalização. Pode ser invocado para trabalhos de cura, especialmente se os baixos níveis energéticos do paciente forem devidos a falta de afirmação pessoal ou auto-estima deficiente.

Pato - O Pato-bravo é uma ave migradora que representa o desprendimento e a mudança. Por outro lado, o Pato doméstico representa o sustento para muitas populações. Como Animais de Poder, tanto um como outro representam a fertilidade, a maternidade e a nutrição.

Peru - O Peru é uma ave originária do continente americano. Cedo se tornou um animal doméstico, do qual os nativos retiravam o seu sustento. É símbolo de celebração e de abundância, tanto que hoje em dia continua a ser servido como alimento ritual pelo Natal e pela Festa de Acção de Graças. Como Animal de Poder ensina-nos o espírito da oferenda, a dar e a receber.

Porco-espinho - O Porco-espinho é um grande roedor, frequentemente confundido com o Ouriço. Existe tanto no Velho como no Novo Mundo e detém as virtudes da dedicação à família, da fé e da confiança. Como Animal de Poder, inspirar-nos à realização de objectivos. É também frequente surgir quando precisamos de aprender a defender-nos.

Puma - O Puma, também chamado Leão-da-montanha, é um grande felino das Américas. Representa a força, a coragem e o instinto de sobrevivência. Tal como o Jaguar e o Leopardo, é um solitário ligado ao mistério e ao silêncio. Como Animal de Poder transmite-nos velocidade e a graça, o espírito de liderança e a força.

Pica-Pau - O Pica-Pau é uma ave tradicionalmente relacionada com os Espíritos do Trovão. Tem algumas semelhanças com o Galo, por ser o Vigia da Floresta. O seu espírito é protector e detém os dons da regeneração, da limpeza e da comunicação.

Pinguim - O Pinguim cria laços familiares fortes, vive em comunidade e é extremamente fiel. Como Animal de Poder transmite os dons da Água com a estabilidade da Terra.

Pirilampo - O pequeno Pirilampo representa a iluminação e a força da vida. É uma Luz na escuridão, evoca o maravilhoso e promove o entendimento,

Pombo - O Pombo é um Mensageiro. No cristianismo simboliza o Espírito Santo e em muitas outras tradições está associado à comunicação, à paz e ao mundo espiritual. Como Animal de Poder, surge frequentemente para avisar o xamã ou o paciente de que existem mensagens que devem ser compreendidas.

Raposa - A Raposa é bem conhecida como figura da esperteza e da astúcia. É um animal belíssimo e hábil, detentor dos dons da camuflagem, da observação e da flexibilidade. Por vezes, transparece a sua faceta dócil, maternal e brincalhona mas, tal como o Coiote, pode também ser patrono da vigarice e da manipulação. Como Animal de Poder ajuda todos aqueles que sofrem por causa da sua ingenuidade.

Rato - O Rato é um pequeno animal extremamente versátil, individualista e despachado. Desperta-nos as virtudes da percepção e da flexibilidade. Também transmite satisfação e aceitação, ensinando-nos a fazer muito com o pouco que temos.

Salmão - O Salmão é um peixe heróico que não vacila em dar a própria vida para que a espécie possa ter continuidade. É um símbolo de força, coragem e perseverança. Como animal de Poder mostra-nos quando devemos lutar e nadar contra a maré. Suporta-nos na nossa determinação e ensina-nos o espírito de sacrifício.

Sapo - O Sapo é um animal associado aos Mistérios, sendo especialmente ligado à chuva. Representa a transformação e a evolução. Como Animal de Poder pode surgir para avisar sobre uma doença, indicando qual a fonte do desequilíbrio.

Sátiro - O Sátiro é uma figura mitológica, frequentemente relacionado com Pã, divindade primordial. Representa a libertinagem e o instinto sexual. Pode ser invocado para fertilidade, para comunicação com os seres da natureza e também para dar livre expressão aos impulsos da carne, celebrando a vida e a liberdade.

Tartaruga - A Tartaruga é um animal antigo, de vida longa e especialmente ligado à Mãe Terra. Transporta consigo os dons da estabilidade, da paciência, da resistência e da sabedoria. Como Animal de Poder é muito protector e promove a longevidade. Mostra-nos que há certo conhecimento que só se adquire com anos de experiência. Por vezes, a Tartaruga surge para nos dizer que devemos pedir conselho aos mais velhos ou para nos mostrar que devemos ter calma, temperança e que tudo leva o seu tempo até dar frutos.

Tatu - Existem várias espécies de Tatus, todos orginários do continente americano. São pequenas criaturas couraçadas que levam uma vida pacata de insectívoros. Como Animal de Poder, o Tatu é protector, pode ser invocado para trabalhos de cura e para nos ensinar a definir os limites emocionais.

Texugo - O Texugo é um animal corajoso, forte e bastante agressivo se for ameaçado. Apesar de ser relativamente pequeno, tem tenacidade para repelir animais maiores como lobos, coiotes, raposas e até ursos. É símbolo da persistência e mostra-nos como agir em caso de crise. O Texugo como Animal de Poder é indicado para protecção e para despertar a valentia.

Tigre - O Tigre tem o dom da aproximação lenta e calculada. É mestre em aproveitar as oportunidades e, quando o faz, é com toda a força e determinação. Como Animal de Poder, mostra-nos quando uma situação necessita de observação cuidadosa e de preparação antes do ataque.

Touro - O Touro é um dos mais antigos animais simbólicos, fazendo parte do imaginário de muitas culturas. Representa a fertilidade, o poder e a liderança. É também um animal com profunda ligação à Terra, indicado para protecção, materialização e estabilidade. Além de todos estes atributos, o Touro ainda nos inspira a generosidade, a hospitalidade e a paciência.

Unicórnio - Este animal mitológico é um dos mais elevados símbolos de pureza e espiritualidade. Detém alguns dos atributos do Cavalo e do Cavalo Alado mas também os dons da mansidão, da salvação e da inocência.

Urso - O Urso é uma figura imponente e forte. É o Senhor da Montanha e da Floresta, não havendo nenhum outro animal que lhe faça frente, salvo talvez o valente Texugo. Como Animal de Poder detém os mesmos atributos deste e ainda os dons da introspecção, da intuição, da cura, bem como da sabedoria ligada aos Ancestrais e à Terra. O Urso é um excelete guia para o despertar da consciência, para o estímulo da curiosidade e para o bom aproveitamento dos ensinamentos.

Veado - O Veado é um animal elegante, cheio de delicadeza e graça, tendo sido adoptado como Animal de Poder por muitos clãs e praticantes de xamanismo. É um símbolo de espiritualidade, de gentileza, de nobreza e de adaptabilidade.